Programação da feira já está em andamento e reúne pesquisadores, escritores, historiadores e cineastas em debates sobre literatura, história e pensamento social brasileiro; abertura oficial acontece nesta quinta-feira (30)
Às vésperas dos 130 anos do início da Guerra de Canudos, o município baiano recebe um dos mais importantes encontros dedicados ao estudo de sua própria história. Desde esta quarta-feira (29), a VII Feira Literária Internacional de Canudos (Flican) reúne pesquisadores, escritores, historiadores e cineastas que se tornaram referência nacional e internacional nos estudos sobre Belo Monte, Antônio Conselheiro e os desdobramentos históricos, sociais e culturais do conflito que marcou o sertão baiano. A abertura oficial do evento acontece nesta quinta-feira (30), às 18h30, no Espaço Belo Monte, com a presença de autoridades e convidados.
Ao longo dos quatro dias de programação, a feira promove mesas de debate, cafés literários e rodas de conversa dedicados à memória de Canudos, à literatura, ao patrimônio cultural e às discussões sobre democracia, soberania e reparação histórica.
A programação teve início na quarta-feira (29), às 8h30. A partir das 14h, a mesa “Literatura, Insubmissão e Resistências” reúne a escritora Ana Fátima, o cientista social Helder Bomfim e a comunicadora e MC Má Reputação. No mesmo dia, pesquisadores como João Ferreira, Adriana Fontes, João Batista, Maria Raimunda de Carvalho e Josileide Varjão participam da Ciranda de Palavras “Memória, soberania e palavra”, dedicada às diferentes formas de preservação da memória de Canudos.
“Ao reunir especialistas justamente no território onde se desenrolaram os acontecimentos que marcaram a Guerra de Canudos, o evento promove um diálogo singular entre produção científica, patrimônio histórico e saberes populares, transformando o município em um grande fórum de reflexão sobre um dos episódios mais marcantes da história brasileira”, destaca o curador da feira, professor Luiz Paulo Neiva.
“Canudos não é apenas um lugar de memória; é um território vivo, que continua produzindo conhecimento, cultura e resistência. A Flican nasce desse compromisso de aproximar a universidade da comunidade e de fazer da literatura um instrumento de reflexão, pertencimento e transformação social”, ressalta a coordenadora da feira, Elane Geraldo.
Reparação histórica
Na quinta-feira (30), às 8h30, o cineasta e pesquisador Antônio Olavo media a mesa “Selvajaria: Um filme com Canudos”, reunindo o diretor português Miguel Gomes, a roteirista Maureen Fazendeiro e a arte-educadora Ana Clara Oliveira dos Santos para discutir o longa inspirado em Os Sertões, de Euclides da Cunha. Ainda no mesmo dia, o professor Leopoldo Bernucci, da Universidade da Califórnia (Davis), uma das maiores autoridades internacionais na obra de Euclides da Cunha, ministra a conferência “Soberania, Território e República: Canudos e os Limites do Poder do Estado no Brasil”.
Na sexta-feira (31), a programação presta homenagem ao geógrafo baiano Milton Santos com o Café Literário “Milton Santos e a Cidadania no Brasil”, às 8h30, dedicado ao pensamento de um dos intelectuais brasileiros mais influentes do século XX. Participam do encontro o geógrafo Valney Rigonato e Ivan de Almeida, da Cógito Editora. Ao longo do mesmo dia, a Flican amplia o debate sobre memória, patrimônio e justiça histórica. Antônio Olavo retorna à programação como participante da mesa “Manifesto à Nação: Reparação Histórica ao Povo de Canudos”, ao lado de Manoel Neto, Maria de Lourdes Ornellas, Udinéia Braga e Roberto Dantas.
Também serão realizados os debates “Entre a Lei do Ventre Livre (1871) e o fim da Guerra de Canudos (1897)”, com as historiadoras Patrícia Valim e Milena Pinillus e o promotor Alan Cedraz Santiago, e “5ª Expedição ao Belo Monte: o mapeamento do patrimônio cultural dos Caminhos de Antônio Conselheiro”, com Pedro Igor Pimentel e Glauber Paiva, sob mediação da pesquisadora e escritora Laurita Dias.A programação inclui ainda a mesa “Reparação histórica de Canudos: estado da arte e perspectivas”, reunindo representantes do Judiciário e do Ministério Público para discutir os avanços e desafios do processo de reconhecimento histórico da comunidade.
No sábado (1º de agosto), o Café Literário recebe a escritora Conceição Evaristo, com mediação de Elane Geraldo, no Espaço Belo Monte. Às 10h, no mesmo local, acontece a Ciranda de Palavras “Histórias para antecipar o fim do mundo”, com o escritor Daniel Munduruku.
Também no sábado, Ana Fátima retorna à Flican para participar da Ciranda de Palavras “Mulheres Negras: a Palavra como Lugar de Transformação”. À tarde, os escritores e pesquisadores Aleilton Fonseca, Adeítalo Pinho e Nelson Cerqueira discutem a presença de Belo Monte na literatura baiana, na mesa “Belo Monte na Literatura Baiana: Linguagem e Soberania”, com mediação da professora Léa Santana. Ainda no sábado, o Diálogo com a Juventude aborda o tema Literatura em tempos sombrios, com a participação do escritor e jornalista Ricardo Ishmael. A Flican também conta com a participação dos poetas José Américo Amorim e Carlos Silva.
Realizada pelo Campus Avançado de Canudos da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), a Flican chega à sua sétima edição consolidada como um espaço de valorização da literatura, da memória e da diversidade cultural. O evento conta com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação (SEC) e da Fundação Pedro Calmon, além da Prefeitura Municipal de Canudos e do Instituto Popular Memorial de Canudos.

Foto: Robinson Di Almeida
Serviço
VII Feira Literária Internacional de Canudos (Flican)
Período: 29 de julho a 1º de agosto de 2026
Local: Canudos (BA)
Tema: Literatura e Soberania

