Hospital Municipal de Feira de Santana entra no papel com investimento de R$ 170 milhões e previsão de funcionamento em 2028

Novo equipamento será exclusivo para usuários do SUS, terá 110 leitos, dez UTIs adultas e estrutura voltada à média e alta complexidade; obra começa após demolição de antiga sede da Associação de Proteção à Infância

A Prefeitura de Feira de Santana assinou nesta segunda-feira (17) o contrato para a construção do Hospital Municipal, projeto considerado um dos maiores investimentos já realizados pelo município na área da saúde. O empreendimento, destinado exclusivamente aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), terá investimento de R$ 130 milhões na construção e outros R$ 40 milhões para a aquisição de equipamentos. A previsão é de que a unidade entre em funcionamento até 2028.

O contrato foi firmado pelo prefeito José Ronaldo de Carvalho e pelo secretário municipal de Saúde, Rodrigo Matos, em solenidade que reuniu autoridades municipais e lideranças políticas, entre elas o presidente da Câmara Municipal, Marcos Lima.

A implantação do hospital ocorrerá por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), com prazo de 22 anos. O acordo com o Consórcio Hospital Feira de Santana inclui a construção da unidade, os investimentos necessários à implantação e a prestação dos serviços não assistenciais. A gestão da assistência à saúde e a definição das políticas públicas continuarão sob responsabilidade do município.

Obra começa na Avenida Maria Quitéria

A assinatura do contrato coincidiu com o início da demolição das estruturas onde funcionou durante décadas a Associação de Proteção à Infância, na Avenida Maria Quitéria. O terreno dará lugar ao novo hospital, que terá aproximadamente 13,8 mil metros quadrados de área construída.

Durante o ato, José Ronaldo afirmou que o empreendimento representa a concretização de um compromisso assumido durante a campanha eleitoral e anunciou que a unidade receberá o nome de Gislene Pimentel, em reconhecimento ao trabalho social desenvolvido por ela em Feira de Santana.

“Esse hospital prestará homenagem a Gislene Pimentel por todo o serviço social que ela prestou em nossa cidade. É uma forma de expressar nossa gratidão e reconhecimento a ela e à sua família, que doou este terreno ao Município”, afirmou o prefeito.

José Ronaldo também destacou investimentos realizados pela administração municipal em outras áreas e citou ações na saúde, como a manutenção da rede própria e a oferta de serviços especializados para pacientes com câncer e diabetes.

Estrutura para média e alta complexidade

O Hospital Municipal terá 110 leitos de internação, dos quais 100 serão especializados e dez destinados à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta. A estrutura contará ainda com leitos de observação e isolamento e quatro salas cirúrgicas de grande porte, voltadas principalmente para procedimentos de ortopedia e cirurgia geral.

O projeto prevê também ambulatório e um parque de bioimagem equipado para exames de tomografia, ressonância magnética, ultrassonografia e ecocardiografia. A unidade terá espaços destinados ao ensino, à pesquisa e à capacitação de profissionais de saúde.

Segundo Rodrigo Matos, o projeto foi elaborado a partir de critérios técnicos, dados epidemiológicos e necessidades identificadas na rede municipal.

“A unidade deverá ampliar a capacidade assistencial de Feira de Santana, fortalecer a rede própria e oferecer uma nova estrutura para o atendimento da população. É um dos maiores projetos estruturantes da história da saúde pública municipal”, afirmou o secretário.

Localização central

A escolha do terreno, em uma área central da cidade, foi apresentada pela Prefeitura como estratégia para facilitar o acesso dos usuários, inclusive moradores dos distritos.

Para Rodrigo Matos, a localização está alinhada ao princípio da equidade previsto no SUS, ao aproximar um serviço de alta complexidade de uma parcela da população que depende exclusivamente da rede pública.

“Esse hospital estará no centro da cidade para garantir que as pessoas que não têm condições de ter um plano de saúde também tenham acesso a um serviço de qualidade, em uma localização de fácil acesso”, disse.

O secretário classificou a construção como um projeto de longo prazo para a rede municipal e atribuiu ao prefeito José Ronaldo a condução política do empreendimento.

Saúde mental ganha 20 leitos

Além dos leitos clínicos de retaguarda, o hospital terá 20 vagas destinadas especificamente à saúde mental. A proposta é integrar esse atendimento à estrutura hospitalar e ampliar a capacidade do município para receber pacientes que necessitem de internação.

“A ideia é promover inclusão e garantir que o paciente de saúde mental seja tratado de forma digna, dentro de uma estrutura hospitalar completa”, afirmou Matos.

A nova unidade deverá, segundo a Prefeitura, contribuir para reduzir a pressão sobre outros equipamentos da rede municipal e ampliar a capacidade de atendimento de pacientes que necessitam permanecer internados por períodos mais prolongados.

Consórcio prevê conclusão em 20 meses

Representantes das empresas que integram o consórcio responsável pela PPP destacaram a experiência do grupo na construção e operação de unidades hospitalares.

Marcelo Mariane, operador hospitalar com mais de 30 anos de experiência na gestão de serviços de saúde, afirmou que o projeto foi concebido para alcançar padrão elevado de atendimento e ressaltou o compromisso da Prefeitura com a estrutura da unidade.

Mauro Prates, sócio da construtora responsável pelo empreendimento, citou a participação da empresa em obras de hospitais de Alagoinhas, Valença e Paulo Afonso, além do anexo do Hospital Geral Clériston Andrade II, em Feira de Santana, e do Hospital Couto Maia, em Salvador.

Segundo Prates, a previsão é de que a construção seja executada em 20 meses. A expectativa da Prefeitura, considerando as etapas de implantação e preparação da unidade, é que o Hospital Municipal esteja concluído e em funcionamento até 2028.

Com a obra, Feira de Santana passa a projetar uma nova etapa de expansão da rede própria de saúde, tendo como eixo um hospital público destinado ao atendimento de média e alta complexidade e integrado aos demais serviços do SUS no município.

Da Redação – Soteropolis Noticias

Foto: Jorge Magalhães

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