Com quase 83 milhões de brasileiros inadimplentes, instituições financeiras reforçam estratégia de seletividade nas concessões e ampliam operações de crédito consignado, imobiliário e financiamento de veículos
O avanço da inadimplência no Brasil tem levado os principais bancos privados do país a adotar uma postura mais conservadora na concessão de crédito. Com cerca de 82,8 milhões de brasileiros com contas em atraso no primeiro trimestre de 2026 — o equivalente a quase metade da população adulta, segundo levantamento da Serasa Experian —, Itaú, Bradesco e Santander passaram a concentrar suas operações em modalidades consideradas de menor risco.
A estratégia ficou evidente nos balanços financeiros divulgados pelas instituições referentes ao segundo trimestre deste ano. O foco está em linhas de crédito respaldadas por garantias, como o crédito consignado, o financiamento de veículos e o crédito imobiliário, segmentos que oferecem menor probabilidade de inadimplência.
No Bradesco, o crescimento das operações foi impulsionado pelo crédito consignado privado, financiamentos de veículos e linhas de capital de giro com garantias. Já o Itaú atribuiu a expansão da carteira de pessoas físicas principalmente ao aumento das operações de crédito imobiliário, que avançaram 3,9%, e do crédito consignado, com alta de 3,5% no período.
A mudança de estratégia reflete um ambiente de maior cautela no sistema financeiro. Nas modalidades priorizadas pelos bancos, o risco de perda é reduzido porque existem mecanismos de garantia. No consignado, por exemplo, as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento do trabalhador. Nos financiamentos de veículos e imóveis, o próprio bem financiado serve como garantia da operação.
Outro reflexo do cenário é o aumento das despesas com Provisão para Devedores Duvidosos (PDD), reserva contábil utilizada pelas instituições para cobrir possíveis perdas decorrentes da inadimplência. A deterioração da qualidade das carteiras de crédito levou os bancos a reforçar essas provisões, movimento considerado natural em períodos de maior pressão sobre a capacidade de pagamento das famílias.
O cenário evidencia os desafios enfrentados pelo mercado de crédito em 2026. Com um número recorde de consumidores negativados, as instituições financeiras buscam preservar a rentabilidade e reduzir a exposição ao risco, enquanto o acesso ao crédito tende a ficar mais restrito para clientes com menor capacidade de comprovação de renda ou sem garantias suficientes.
Da Redação – Soteropolis Noticias
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