Decisão foi tomada em acordo com o presidente Lula; senador afirma que prioridade será provar inocência e focar nas eleições de 2026
O senador Jaques Wagner (PT-BA) confirmou nesta quarta-feira (24) sua saída da liderança do governo no Senado Federal. A decisão foi tomada após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio às repercussões da operação da Polícia Federal que investiga supostos benefícios econômicos relacionados ao caso do Banco Master.
Em nota divulgada nas redes sociais, Wagner afirmou que o afastamento ocorreu em “comum acordo” com o presidente e classificou o encontro como uma “conversa entre amigos”.
“Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além da minha própria reeleição ao Senado”, declarou o parlamentar.
Investigação e defesa
A mais recente fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última semana, apura indícios de vantagens econômicas que teriam sido recebidas pelo senador, direta ou indiretamente, em operações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Augusto Lima, ex-sócio da instituição financeira.
Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma estar à disposição para colaborar com as investigações.
Na segunda-feira (22), a defesa do senador acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir a anulação da operação policial. Os advogados alegam que houve “erros graves” durante a investigação e sustentam que Wagner jamais utilizou sua atuação parlamentar para beneficiar o Banco Master.
Pressão política nos bastidores
A permanência de Wagner na liderança do governo vinha sendo debatida internamente desde a deflagração da operação. Nos bastidores do Palácio do Planalto, aliados do presidente defendiam seu afastamento para evitar que a crise política contaminasse a pré-campanha de Lula à reeleição em 2026.
Segundo interlocutores do governo, a estratégia passou a ser convencer o senador a deixar o cargo voluntariamente, evitando que a decisão partisse diretamente do presidente.
Publicamente, o Partido dos Trabalhadores manteve apoio ao senador e reforçou a confiança em sua inocência. Internamente, entretanto, lideranças da legenda avaliavam que o distanciamento seria necessário para reduzir desgastes à imagem do governo.
Sucessão na liderança
Entre os nomes cotados para assumir a liderança do governo no Senado estão os senadores Camilo Santana (PT-CE) e Teresa Leitão (PT-PE).
Camilo Santana é considerado um dos aliados mais próximos de Lula e já comandou o Ministério da Educação. Teresa Leitão, atual líder do PT no Senado, é vista como uma parlamentar com bom trânsito tanto entre governistas quanto entre integrantes da oposição.
Desgaste acumulado
A operação da Polícia Federal agravou um desgaste político que Jaques Wagner já enfrentava dentro do governo. O senador foi apontado por setores do Planalto como um dos responsáveis pela derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, após o Senado rejeitar o nome apoiado pelo presidente.
Também pesou contra o parlamentar sua atuação durante as negociações do chamado “PL da Dosimetria”, proposta que prevê a redução de penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O acordo costurado por Wagner com setores da oposição gerou divergências dentro do governo e entre integrantes da base aliada.
Solidariedade e críticas
Apesar da crise, Wagner recebeu apoio de diversas lideranças políticas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou “solidariedade integral” ao senador e defendeu o respeito ao princípio da presunção de inocência.
Já a oposição intensificou críticas ao governo e passou a explorar politicamente a investigação, argumentando que o caso enfraquece o discurso do Planalto sobre combate à corrupção.
Trajetória política
Um dos principais quadros históricos do PT, Jaques Wagner ocupa posição de destaque na política nacional há mais de duas décadas. Foi governador da Bahia por dois mandatos, ministro do Trabalho, ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, ministro da Defesa e ministro da Casa Civil durante os governos petistas.
Ele assumiu a liderança do governo Lula no Senado no início do atual mandato presidencial, após ser anunciado para a função ainda em dezembro de 2022, antes mesmo da posse do presidente.
Agora, fora do cargo, o senador afirma que concentrará esforços em sua defesa e nas articulações eleitorais para as eleições de 2026, quando buscará renovar seu mandato e ajudar na campanha de reeleição do presidente Lula e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

