Decisão contraria expectativa de saída do ministro para assumir a comunicação da campanha; Sidônio seguirá no Planalto, mas deve ser consultado sobre a estratégia eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu manter o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Sidônio Palmeira, no governo e fora da estrutura formal responsável pela campanha à reeleição em 2026. A decisão, divulgada pelo jornal O Globo, mantém o publicitário no comando da comunicação do Palácio do Planalto, embora ele possa ser consultado sobre as estratégias eleitorais.
Sidônio era cotado para deixar a Secom em agosto e assumir diretamente a comunicação da campanha presidencial. A permanência no governo, porém, foi definida por Lula, que pretende evitar uma estrutura paralela de comando na área de comunicação.
A decisão teria provocado incômodo no ministro, segundo pessoas próximas. Sidônio, entretanto, nega qualquer desgaste na relação com o presidente.
“Estou aqui para ajudar o presidente e enfrentar a extrema-direita”, afirmou ao O Globo.
Disputa por espaço na comunicação
A definição ocorre em meio a divergências entre grupos que atuam na comunicação política de Lula. De um lado está o publicitário Raul Rabelo, sócio de Sidônio e apontado como responsável pelo marketing da campanha. De outro estão a jornalista Nicole Briones e o fotógrafo Ricardo Stuckert, ligados à estratégia digital e às redes sociais do presidente.
Os grupos defendem abordagens distintas para a comunicação eleitoral. Sidônio é associado a uma estratégia mais leve e positiva, enquanto Nicole e Stuckert trabalham com uma comunicação de perfil mais político, marcada pelo confronto com adversários e pela exploração de temas ligados ao cotidiano econômico dos eleitores.
Aliados do presidente afirmam que Lula já definiu que não haverá dois comandos na campanha. Com isso, Raul Rabelo deverá ter autonomia para conduzir a estratégia de marketing eleitoral.
Comparação com Bolsonaro e defesa da soberania
A campanha de Lula deverá concentrar parte de sua estratégia na comparação entre os governos petista e Jair Bolsonaro (PL), além de explorar o contraste entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), que aparece como um dos nomes da oposição na disputa presidencial.
Outro eixo previsto é a defesa da soberania nacional, especialmente diante das medidas e posições adotadas pelo governo dos Estados Unidos. A estratégia busca transformar o tema em um dos elementos centrais do discurso eleitoral do presidente.
Com a permanência de Sidônio no Planalto, Lula mantém no governo um dos principais responsáveis pela comunicação de sua gestão, ao mesmo tempo em que separa formalmente a estrutura da Secom do comando operacional de sua campanha à reeleição.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: José Cruz/Agência Brasil

