Confronto na Band Bahia teve críticas sobre saúde, segurança, educação e infraestrutura; Ronaldo Mansur tentou ocupar espaço entre os dois principais adversários
O primeiro debate entre os candidatos ao Governo da Bahia nas eleições de 2026 colocou frente a frente, neste domingo (9), ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL). Realizado nos estúdios da Band Bahia, o encontro foi marcado por ataques entre os dois principais adversários e pela tentativa de Mansur de apresentar uma agenda própria para a disputa.
O debate, mediado pela jornalista Carolina Rosa, seguiu as regras estabelecidas pela legislação eleitoral e foi dividido em três blocos. Os candidatos responderam a perguntas da mediadora e de jornalistas, além de participarem de confrontos diretos. A emissora também utilizou a chamada Sala Digital Band, com temas em destaque nas redes sociais.
No primeiro bloco, educação e saúde concentraram os principais embates. Jerônimo abriu a rodada questionando Mansur sobre suas propostas para a educação. O candidato do PSOL defendeu a valorização e a qualificação dos professores. Na réplica, o governador destacou a necessidade de fortalecer a atuação dos municípios e criticou a oferta de creches públicas em Salvador.
Mansur, em seguida, direcionou a pergunta a ACM Neto e o questionou sobre declarações anteriores a respeito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Neto respondeu destacando sua defesa do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para a Presidência e afirmou que mantém uma postura de diálogo político. Também apresentou o “Provão Bahia” como uma das propostas para a educação.
O confronto mais direto do primeiro bloco ocorreu entre ACM Neto e Jerônimo. O ex-prefeito de Salvador questionou o governador sobre a fila da regulação da saúde pública. Jerônimo reagiu cobrando resultados de administrações anteriores ligadas ao grupo político de Neto e afirmou que seu governo entregou 15 hospitais. O embate terminou com acusações mútuas sobre investimentos e gestão da saúde.
Segurança domina segundo bloco
O segundo bloco elevou a temperatura do debate. A segurança pública foi um dos principais temas, com perguntas dirigidas aos três candidatos.
Jerônimo e ACM Neto foram cobrados sobre as ações de seus respectivos governos, enquanto Mansur respondeu a questionamentos sobre a estrutura da Secretaria da Segurança Pública e a posição do PSOL em relação à atuação policial. O candidato defendeu a valorização dos profissionais da área.
Jerônimo também questionou a elaboração do plano de governo apresentado por ACM Neto, sugerindo o uso de inteligência artificial no documento. O ex-prefeito negou a acusação.
O Planserv também provocou confronto. Questionado sobre a possibilidade de privatização do plano de saúde dos servidores estaduais, Neto afirmou que não pretende privatizá-lo. Defendeu, porém, a contratação de serviços da rede privada como alternativa para reduzir filas e ampliar o atendimento.
Mansur contestou a proposta e afirmou que a medida poderia abrir caminho para uma futura privatização. O candidato do PSOL também aproveitou o tema para criticar administrações ligadas ao grupo político de Neto.
Na discussão ambiental, Mansur questionou Jerônimo sobre a criação de uma unidade de conservação na Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina. O governador afirmou que o processo está sob análise da Procuradoria-Geral do Estado e assegurou que a unidade será criada.
BR-324, metrô e VLT entram no confronto
A relação dos candidatos com o presidente Lula voltou ao centro da discussão. Mansur questionou ACM Neto sobre sua aproximação com a imagem do presidente durante a campanha. O ex-prefeito respondeu que pretende manter o diálogo institucional em defesa dos interesses da Bahia.
O momento mais tenso ocorreu quando Neto cobrou explicações de Jerônimo sobre as condições da BR-324 e afirmou que o governador teria apresentado informações incorretas sobre a rodovia.
Jerônimo reagiu e voltou a associar o adversário à oposição ao governo Lula. Neto, por sua vez, ampliou as críticas para obras de infraestrutura e citou a Ponte Salvador-Itaparica. O governador respondeu destacando investimentos realizados em parceria com o governo federal, entre eles projetos ligados ao metrô e ao VLT.
Candidatos reforçam agendas próprias
No terceiro bloco, os candidatos responderam a temas que ganharam repercussão nas redes sociais e fizeram suas considerações finais.
Mansur voltou a defender concursos públicos na área da saúde e criticou a pejotização de profissionais. Jerônimo escolheu a educação como principal eixo de sua fala, relembrou sua trajetória na rede pública de ensino e reafirmou o compromisso com o setor. Também voltou a criticar a oferta de vagas em creches na capital.
ACM Neto concentrou sua participação na economia e na infraestrutura. Defendeu a educação como instrumento de desenvolvimento econômico e prometeu investimentos na malha aeroportuária, especialmente em regiões turísticas do interior. Também criticou as condições das rodovias estaduais e cobrou avanços em projetos como a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).
Nas considerações finais, Mansur ressaltou sua trajetória política e defendeu a continuidade do governo Lula. Jerônimo agradeceu à organização do debate e aos apoiadores, destacando o diálogo como uma das marcas de seu grupo político.
Neto encerrou o encontro com críticas à atual administração estadual nas áreas de educação, saúde e segurança e pediu aos eleitores uma avaliação sobre os resultados do governo antes de decidir o voto.
O debate ocorre em um cenário de disputa apertada entre ACM Neto e Jerônimo. Pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de julho apontou os dois tecnicamente empatados no primeiro turno, com 39% e 38%, respectivamente, enquanto Mansur apareceu com 1%.
Editor – Soteropolis Noticias
Debate da TV Band Bahia com os candidatos ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (Psol) — Foto: Band / Reprodução

