Petista reverte vantagem do adversário no primeiro turno e garante mais quatro anos no Planalto; disputa foi marcada por polarização, mobilização digital e embates na Justiça Eleitoral
Da Redação – Soterópolis Notícias
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da República neste domingo (25), ao derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com a vitória, Lula garantiu mais quatro anos no Palácio do Planalto, em uma disputa marcada pela forte polarização política e por uma virada em relação ao resultado do primeiro turno.
Segundo informações da Jovem Pan, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou matematicamente a vitória do petista às 21h08, quando 97% das urnas já haviam sido apuradas. Naquele momento, Lula registrava 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Flávio Bolsonaro.
O resultado consolidou uma reviravolta eleitoral: no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio havia terminado na frente, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somara 45,16%.
Uma virada inédita na disputa presidencial
A eleição de 2026 entrou para a história por uma particularidade: segundo o levantamento apresentado pela Jovem Pan, Lula foi o primeiro candidato, desde a redemocratização, a terminar o primeiro turno em segundo lugar e conseguir reverter o resultado para vencer a disputa presidencial no segundo turno.
A campanha foi marcada pela polarização e pela elevada rejeição dos dois candidatos. Augusto Cury (Avante) terminou em terceiro lugar no primeiro turno, seguido por Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD).
Mobilização digital foi aposta da campanha petista
Uma das principais estratégias da campanha de Lula para ampliar o alcance de suas propostas e mobilizar apoiadores foi o uso de canais digitais. Sob a coordenação do deputado federal André Janones (Rede-MG), o grupo de WhatsApp “Exército do Lula” ultrapassou 10,6 milhões de participantes nos últimos dias da disputa.
Em transmissão ao vivo realizada entre sexta-feira (23) e sábado (24), Lula afirmou que pretendia ampliar o grupo para 11 milhões de participantes naquele dia e chegar a 13 milhões posteriormente.
A iniciativa buscou aproximar o candidato de seus apoiadores e aumentar a circulação de conteúdos favoráveis à campanha, em meio à disputa pelo alcance das publicações políticas nas redes sociais.
Justiça Eleitoral intensificou fiscalização nas redes
Na reta final da campanha, o Tribunal Superior Eleitoral ampliou a fiscalização sobre conteúdos publicados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e pelo influenciador Pablo Marçal.
Segundo a Jovem Pan, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva determinou que as plataformas Meta e X apresentassem relatórios a cada seis horas sobre o alcance e a distribuição das publicações dos dois. A investigação envolvia possíveis irregularidades na divulgação de conteúdo eleitoral e questionamentos apresentados pela campanha petista sobre publicações que, segundo a alegação, poderiam favorecer Flávio Bolsonaro.
As acusações dependiam de apuração. A decisão também estabeleceu restrições à recomendação automática de publicações de Nikolas e Marçal a usuários que não seguissem seus perfis, sem determinar a exclusão das contas.
Nikolas reagiu nas redes sociais e pediu aos seguidores que compartilhassem suas publicações, além de curtirem o conteúdo. O deputado também fez referência a um ato de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.
Disputa sobre abertura de sigilos
Outro embate da campanha envolveu pedidos relacionados à divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos de Lula e Flávio Bolsonaro.
A discussão chegou ao TSE após a campanha petista defender a divulgação simultânea de informações dos dois candidatos. Na sexta-feira, o Ministério Público Eleitoral se manifestou pela extinção do processo sem análise do mérito.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, avaliou que o caso não justificava a atuação da Justiça Eleitoral. A manifestação representou uma posição do Ministério Público no processo, e não uma decisão definitiva sobre o mérito da controvérsia.
Problemas no transporte marcaram o dia da votação
O segundo turno também foi marcado por uma disputa judicial relacionada às condições de deslocamento dos eleitores. A campanha de Lula acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) após relatar dificuldades no transporte público em diferentes localidades.
O ministro Cristiano Zanin determinou a prorrogação do horário de votação até as 19h, no horário de Brasília. Posteriormente, esclareceu que a extensão deveria ser aplicada às seções eleitorais cujas urnas ainda não haviam sido fechadas.
O episódio mobilizou a Justiça Eleitoral nas horas finais do pleito e acrescentou mais um capítulo às disputas jurídicas que marcaram a campanha de 2026.
Com a vitória de Lula, o país encerra uma das disputas presidenciais mais acirradas dos últimos anos, marcada pela mudança de liderança entre os turnos, pela intensa mobilização nas redes sociais e por controvérsias que chegaram aos tribunais superiores.
Foto: WALMOR CARVALHO/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
