Grupo baiano revisita sucessos, homenageia grandes nomes da MPB e apresenta novas composições neste sábado, em Feira de Santana
Há músicas que atravessam o tempo. Há outras que carregam consigo lugares, histórias e sentimentos. É nessa combinação de memória, identidade e sonoridade que o Matita Perê chega ao Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) para celebrar 27 anos de trajetória. O grupo baiano apresenta, neste sábado (29), o show Andarilho, às 17h, na Praça do Cordel Dadinho e Caboquinho, no Centro de Convenções de Feira de Santana, conforme divulgou o Tribuna Feirense.
Para o público que acompanha a música produzida na Bahia e para os admiradores da MPB, a apresentação será uma oportunidade de reencontrar parte da história do grupo em uma formação especial. O Matita Perê sobe ao palco em formato de trio, reunindo os integrantes originais Borega, Luciano Aguiar e Rafael Galeffi.
Três músicos, uma nova sonoridade
Multiartista feirense, Borega assume guitarra, voz e arranjos. Além da música, sua trajetória também passa pelas artes gráficas e plásticas, como chargista, cartunista e artista plástico. Ao lado dele estão Luciano Aguiar, no violão e voz, e Rafael Galeffi, na viola, violoncelo e voz.
A formação reduzida cria uma sonoridade mais intimista e permite que detalhes dos arranjos ganhem espaço.
“Eu acho que a execução, em trio, lançou luz sobre alguns detalhes do trabalho, trazendo novas cores, nesse novo momento, pra gente”, explica Borega. Segundo o arranjador, o formato também representa um desafio, pela concentração dos elementos musicais em um número menor de instrumentos.
MPB com identidade baiana
Uma das marcas do Matita Perê está no cuidado com os arranjos. O grupo transita entre a produção autoral e grandes clássicos da Música Popular Brasileira, imprimindo novas leituras às canções sem perder a essência de suas composições.
Um dos exemplos é o arranjo de Só Louco, de Dorival Caymmi, trabalho que aproximou o grupo de importantes nomes da música brasileira, entre eles Dori Caymmi, Danilo Caymmi, Luiz Cláudio Ramos, Gilson Peranzzetta e Toninho Horta.
A relação com esses artistas reforça uma característica que acompanha o Matita Perê desde sua formação: o diálogo entre tradição e experimentação.
Dois discos e muitas histórias
Vencedor do XIV Festival Educadora FM, na categoria instrumental, com Baião Bachiado, de Borega, o grupo tem dois álbuns lançados: Matita, de 2001, e Reino dos Encourados, de 2017.
O repertório do show inclui músicas dos dois trabalhos, como Triângulo, de Luciano Aguiar, e Rosiana, parceria de Borega e Luciano Aguiar inspirada em Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa, obra que completa 70 anos.
Feira de Santana como inspiração
A relação do Matita Perê com Feira de Santana ultrapassa o lugar de nascimento de seus integrantes. A cidade, conhecida como Princesa do Sertão, tornou-se fonte de inspiração para canções que carregam referências ao sertão, à cultura nordestina e à própria história feirense.
“Em 2016, gravamos o Reino dos Encourados, que reverencia os ritmos nordestinos e também a Santana dos Olhos d’Água e as lagoas que abasteciam tropeiros e boiadas”, lembra Luciano Aguiar.
Do álbum, o público poderá ouvir Decisão, de Borega em parceria com o poeta Roberval Pereyr; Passarinho e Licor de Jenipapo, de Luciano Aguiar; além de Andarilho, de Giberval Melo, que dá nome ao espetáculo.
Novas músicas no palco
O show também abre espaço para uma fase mais recente do grupo. Entre as novidades estão Serra da Barriga, parceria instrumental de Borega e Rafael Galeffi, e Sabia Sabiá, composição de Rafael Galeffi com letra de Luciano Aguiar.
Para Rafael, o repertório ajuda a contar diferentes capítulos da história do grupo.
“Estamos trazendo um pouco desse repertório mais recente do Matita, que contempla, inclusive, a minha chegada ao grupo, a partir de 2014”, afirma o músico. Para ele, as canções também refletem a irmandade construída pelos integrantes ao longo dos anos.
Homenagens aos mestres da música brasileira
O cuidado com os arranjos também aparece nas releituras de grandes compositores e intérpretes brasileiros. Ao longo de sua trajetória, o Matita Perê incorporou ao repertório obras de Dorival Caymmi, Tom Jobim, Milton Nascimento, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil e Dominguinhos.
No show, o público poderá reconhecer clássicos como Pescaria e A Mãe d’Água e a Menina, de Caymmi; Eu Sei que Vou Te Amar, de Tom Jobim; Cravo e Canela e Travessia, de Milton Nascimento; Asa Branca e Pau de Arara, de Luiz Gonzaga; além de Lamento Sertanejo, de Gilberto Gil e Dominguinhos.
Mais do que uma apresentação musical, Andarilho chega à Flifs como um encontro entre memória, poesia, identidade nordestina e a riqueza da música brasileira. Para quem gosta de música feita com cuidado, história e personalidade, o palco do festival promete uma viagem por 27 anos de uma das trajetórias mais singulares da música baiana.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Divulgação

