Em sessão especial realizada na manhã desta segunda-feira (21), a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) entregou a Comenda 2 de Julho a Paulo Roberto Figueiredo de Oliveira, conhecido como Paulinho Boca de Cantor. A honraria foi proposta no Parlamento baiano pelo deputado Bobô (PCdoB) em razão da relevante contribuição do cantor e compositor para a música popular brasileira e para a cultura baiana.
A solenidade ocorreu no Plenário Orlando Spínola e reuniu amigos, familiares e admiradores do trabalho do artista. Em seu discurso, o parlamentar celebrou a trajetória do artista e lembrou que a história de Paulinho Boca se confunde com a história da música brasileira. “A Comenda 2 de Julho é um reconhecimento a um artista que ajudou a projetar a criatividade, a identidade e a força cultural da Bahia para todo o Brasil e para o mundo”, disse.
A caminhada do homenageado na música começou, conforme lembrou o deputado Bobô, ainda aos seis anos de idade, quando venceu um concurso de calouros realizado na praça pública de Santa Inês, sua terra natal. “Como ele próprio recorda, ali foi o momento em que ele foi definitivamente alcançado pela música”, contou o legislador.
Após a família mudar-se para Salvador, contextualizou Bobô, Paulinho Boca de Cantor, antes de se tornar uma das grandes vozes da música brasileira, vendia pastéis feitos pela mãe. Em 1963, a música passou a fazer parte da vida do artista, que começou a atuar profissionalmente como crooner em uma orquestra.
E foi nessa época que surgiu o nome artístico, como detalhou o deputado em sua saudação: “Durante o intervalo de ensaio da orquestra, um amigo fez uma brincadeira ao ver um cachorro bocejando ao seu lado e pronunciou a expressão Paulinho Boca de Cantor. O apelido permaneceu e se transformou em um dos nomes mais conhecidos da nossa música”.
Por volta de 1968, o artista juntou-se ao grupo que veio a se chamar Novos Baianos. “Os Novos Baianos criaram uma nova linguagem artística, aproximava o samba, o rock, a guitarra elétrica, o frevo, a contracultura e a tradição brasileira da liberdade experimental de uma geração que queria transformar o mundo. Em 1972, essa inovação alcançou um dos momentos mais importantes com o lançamento do Acabou Chorare. Décadas depois, o álbum seria reconhecido como um dos maiores trabalhos da história da música popular brasileira”, exaltou o proponente da honraria na ALBA.
Ao longo da sua trajetória, registrou o deputado, Paulinho Boca tornou-se uma referência e levou a música da Bahia para todo o Brasil e para o exterior, com apresentações internacionais.
“Estamos diante de um artista que não apenas produziu música, mas também trabalhou para preservar a memória daqueles que vieram antes e abrir caminho para aqueles que virão depois. […] Hoje, essa Casa Legislativa não presta homenagem somente ao cantor, ao compositor, ao intérprete. Homenageia também o menino de Santa Inês, o jovem que vendia os pastéis preparados pela mãe, o crooner dos bailes, o fundador do Novos Baianos, o homem do carnaval, o pesquisador, o produtor cultural, o paizão e o cidadão baiano”, elencou.
A SERVIÇO DA MÚSICA
Ao subir à tribuna, o artista homenageado externou a alegria e a gratidão pelo reconhecimento feito pelo Parlamento estadual. Ele lembrou que são mais de 60 anos de vida dedicados à música e à cultura baianas.
“Recebo essa comenda com muito orgulho. São mais de 60 anos de serviços para a nossa cultura. Eu agradeço sempre a Deus, incessantemente. A palavra gratidão está tatuada no meu coração”, externou o artista, que também agradeceu à esposa, Virgínia Amaral, pela companhia em todos os momentos da sua vida, e aos demais familiares e amigos.
Durante a sessão, foi exibido um vídeo com depoimentos de artistas e amigos, que prestaram homenagem a Paulinho Boca de Cantor: Lúcio Mauro Filho, Evandro Mesquita, Roberto Frejat, Daniela Mercury, Marisa Monte, Carlinhos Brown, Baby do Brasil, Luiz Caldas e o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos.
“Muito bom dividir uma parte dessa minha história com vocês. A vida tem me proporcionado momentos especiais, isso me dá certeza de que devo continuar levando para todos a minha música, o meu canto, a minha alegria de viver. O que importa mesmo nessa vida é a quantidade de pessoas que você traz para perto de você, para celebrarmos juntos momentos felizes como este”, discursou o homenageado.
Ao fazer uma reflexão sobre sua trajetória, Paulinho Boca de Cantor afirmou que integra uma geração de artistas que viveu momentos de grandes transformações no mundo e, por isso, contribuiu de sobremaneira não só com a música, mas também com a cultura e com a vida dos brasileiros. O artista encerrou a solenidade cantando clássicos como “Preta Pretinha” e “Dê Um Rolê”.
A mesa de convidados foi composta pelo deputado Bobô; o homenageado Paulinho Boca de Cantor; o deputado Luciano Ribeiro (UB); a deputada Olívia Santana (PCdoB); o advogado e sobrinho do homenageado, Marcus Oliveira; o advogado e procurador do Município de Salvador, Gustavo Hasselmann; o presidente da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), Luiz Gavazza; o diretor executivo da Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), José Rebouças; o engenheiro civil e empresário da construção civil, Fernando Jorge Carneiro; o arquiteto e empresário Carlos Von Beckerath Gordilho; o advogado Aníbal Pereira Brandão; o músico e médico Alberto José Simões de Abreu, conhecido como Tuzé de Abreu; o advogado e irmão, José Raimundo Figueiredo de Oliveira; e a ex-presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Maria Marighella. (Ascom).
Foto: Divulgação/Ascom/Alba

