Rui Costa intensifica embate político e classifica gestões de ACM Neto e Bruno Reis como “medíocres” nas áreas de saúde e educação

Após reunião da chapa majoritária governista para discutir as eleições de 2026, ex-governador rebate críticas da oposição, atribui problemas estruturais de Salvador às administrações do União Brasil e afirma que debate deve ser sobre resultados da gestão pública.

O ex-governador e ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), elevou o tom do discurso contra o grupo político liderado por ACM Neto (União Brasil) e pelo prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), ao conceder entrevista à imprensa na tarde desta segunda-feira (13), após reunião convocada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) com integrantes da chapa majoritária governista e parlamentares aliados para discutir o cenário das eleições de 2026. Durante a entrevista, Rui criticou duramente os indicadores da capital baiana nas áreas de saúde, educação e mobilidade urbana, classificando as gestões do União Brasil como “medíocres” e afirmando que a discussão eleitoral deve se concentrar na avaliação das políticas públicas.

“Não resiste a um debate sobre saúde”

Ao responder às críticas da oposição sobre a saúde pública estadual, Rui Costa afirmou que quem administra Salvador não possui autoridade para tratar do tema, lembrando que a capital é responsável pela gestão da média e alta complexidade do SUS.

“Ele não precisa esperar ganhar a eleição para governador para comprar vagas. Salvador é saúde plena. O município já pode contratar exames, ampliar a rede e construir hospitais. Não tem nenhuma condição de falar de saúde.”

O ex-governador também afirmou que Salvador apresenta indicadores insatisfatórios na atenção à saúde da mulher.

“As mulheres não conseguem fazer preventivo, não conseguem atendimento ginecológico. Se não consegue garantir o básico, não resiste a um debate sobre saúde.”

Educação e creches também entraram na crítica

Rui Costa ampliou as críticas para a educação, afirmando que Salvador ocupa posições desfavoráveis nos indicadores nacionais e possui uma das menores ofertas de creches entre as capitais brasileiras.

“A oferta de creches é uma das piores entre as capitais. Só não é uma catástrofe porque existem mais de 150 creches comunitárias mantidas pela própria população.”

Segundo ele, a atuação dessas instituições evidencia a deficiência do poder público municipal.

Mobilidade e transporte

Outro ponto abordado foi o sistema de transporte coletivo da capital. Rui atribuiu a deterioração do serviço a decisões administrativas tomadas durante a gestão de ACM Neto, citando a cobrança de valores das empresas concessionárias.

“O transporte virou um fiasco. Eu avisei que cobrar esse valor das empresas seria repassado para a tarifa ou reduziria a qualidade do serviço. Foi exatamente o que aconteceu.”

O ex-ministro ainda destacou investimentos do Governo do Estado no metrô e no futuro VLT como alternativas para melhorar a mobilidade urbana em Salvador.

“Não é questão pessoal”

Embora tenha mencionado diretamente os governos de ACM Neto e Bruno Reis durante praticamente toda a entrevista, Rui Costa procurou afastar o caráter pessoal das críticas.

“Não estou falando da pessoa física, nem de Neto nem de Bruno. Estou falando de política pública, de gestão de saúde e educação.”

Análise da declaração

Sob o aspecto discursivo, Rui Costa afirma que suas críticas são dirigidas exclusivamente às gestões públicas, e não às pessoas de ACM Neto e Bruno Reis. Entretanto, o conteúdo da entrevista identifica claramente os responsáveis políticos pelas administrações municipais que ele avalia negativamente.

Ao afirmar que “não está falando da pessoa física”, Rui busca diferenciar o debate eleitoral da esfera pessoal, concentrando sua argumentação na avaliação administrativa dos governos conduzidos pelo grupo político do União Brasil em Salvador. Na prática, porém, as críticas recaem diretamente sobre os dois principais gestores do período: ACM Neto, ex-prefeito da capital, e Bruno Reis, atual prefeito, ambos citados como responsáveis pelas políticas públicas que Rui considera insuficientes nas áreas de saúde, educação, mobilidade e transporte coletivo.

A entrevista marca o início de um endurecimento do discurso da base governista no período pré-eleitoral de 2026. Embora Rui Costa sustente que suas declarações não têm caráter pessoal, sua argumentação direciona a responsabilidade pelos problemas apontados às administrações comandadas por ACM Neto e, atualmente, por Bruno Reis. Assim, o foco do embate político passa a ser a comparação entre modelos de gestão, com governo e oposição utilizando indicadores e resultados administrativos como eixo central da disputa eleitoral.

Editor: Soteropolis Noticias

Foto: Ailton Fernandes

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