Decisão inédita em mais de um século expõe tensão entre Planalto e Congresso e obriga governo a buscar novo nome para a Corte
Em uma decisão histórica, o Senado Federal rejeitou, nesta quarta-feira (29), por 42 votos a 34, a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), frustrando as expectativas do governo e marcando a primeira recusa desse tipo em mais de um século.
Após cinco meses de articulações e incertezas, o nome do ex-advogado-geral da União não alcançou os 41 votos necessários para aprovação no plenário. A votação secreta aumentou a imprevisibilidade do resultado, apesar de o governo projetar maioria favorável. A deliberação ocorreu depois de uma longa sabatina de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11.
A indicação enfrentou resistência desde o início, agravando o clima entre o Palácio do Planalto e o Congresso. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, chegou a defender outro nome para a vaga, enquanto o governo retardou o envio formal da indicação na tentativa de reduzir a rejeição. Mesmo com esforços de articulação política, Messias só intensificou o diálogo com lideranças às vésperas da sabatina.
Durante sua apresentação na CCJ, o indicado adotou um discurso conciliador, destacando sua posição contrária ao aborto, a defesa da Constituição e o respeito à separação dos Poderes. Também mencionou a necessidade de aperfeiçoamentos no STF, inclusive apoiando propostas que limitam decisões monocráticas. Apesar disso, não conseguiu reverter o cenário adverso. Com a rejeição — a primeira desde o período do governo Floriano Peixoto — caberá agora ao presidente da República indicar um novo nome para a Suprema Corte, reacendendo o debate político em torno da escolha.
Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Divulgação CNN-Brasil

