ALBA Cultural participa da Fligê com livros sobre a memória de Mucugê

A Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) participa, na Chapada Diamantina, da 9ª edição da Feira Literária de Mucugê (Fligê/2026), que este ano traz como tema “Literatura e Múltiplas Formas do Dizer”, dedicado às diferentes linguagens, narrativas e expressões artísticas. Na tarde desta sexta-feira (14), na Tenda Literária, espaço cultural localizado na Travessa Dona Valdete Medrado Barbosa, o projeto ALBA Cultural inaugurou seu estande com o lançamento de duas publicações relacionadas à história do município: “Cartografias Afetivas – trilogia sensível de Mucugê” e “Mucugê por Mucugê”. Um catálogo com outras 22 obras lançadas pelo programa também será disponibilizado ao público, totalizando 1.800 exemplares.

“Cartografias Afetivas” é uma obra organizada pelo professor e poeta Marcos George Paraguassú. Apresenta cantigas, sabores e vozes da memória de Mucugê, “que se revela não apenas nas paisagens que encantam os olhos, mas nas vozes que cantam, nas histórias que resistem e nos sabores que atravessam gerações”.

O livro é um mapeamento sensível feito por um grupo de 76 estudantes, guiados por suas famílias, mestres populares e professores da rede pública de ensino. Em três etapas distintas, a publicação mostra as “Cantigas de Mucugê”, os hinos e cantorias das festas e manifestações populares; os “Sabores de Mucugê”, com receitas e modos de fazer que ligam passado e presente; e, por fim, as “Vozes de Mucugê”, descritas em lendas e contos de ficção colhidos pelos jovens pesquisadores na tradição oral de personalidades locais.

Para Marcos Paraguassú, que marcou presença na distribuição gratuita dos exemplares ao público, as 154 páginas do livro não pretendem ser um inventário, mas uma celebração, com o resgate de histórias que foram vividas e precisam ser contadas.

“São registros afetivos que costuram as muitas existências que formam o corpo vivo de Mucugê. Esse bordado coletivo reafirma que a cultura é feita de encontros e o território é feito de afetos”, pontuou o professor. Em versos, o poeta fez questão de declarar seu amor à cidade: “Caminhar por Mucugê é mais que gesto, é benção, é presente, é retornar a mim mesmo, é estar inteiro, é ser semente”, declamou.

MEMÓRIA RESGATADA

“Incrustada no coração da Chapada, cercada por um cenário de rara beleza, entre serras e gerais, Mucugê carrega o peso de ter dado origem ao ciclo diamantino na Bahia, de ter resistido à invasão da Coluna Prestes e de ter formado, em seu seio, uma cultura singular que perdura até os tempos atuais.” Assim descreveu a historiadora Rebeca Serra na introdução de “Mucugê por Mucugê”, uma reimpressão, também produzida com o selo ALBA Cultural, que pode ser vista na Fligê.

A escritora, falecida em janeiro de 2023, destacou, em sua obra, a amizade com José de Oliveira, o Vô Zezinho, “uma figura de muita sabedoria, memória extraordinária, o melhor contador de histórias que conheci em Mucugê, a semente que deu origem a este trabalho”, confessou.

Foi a partir de 1995 que Rebeca Serra deu início à efetivação do projeto de preservação da memória de Mucugê, com relatos que estão registrados nas 333 páginas do livro. “Foi um projeto longo, tortuoso e fascinante. Classifiquei e organizei depoimentos colhidos durante cerca de três anos de pesquisa oral, totalizando 46 horas de material gravado. Mais do que um projeto de história, tornou-se meu projeto de vida”, assegurou. Na época, ao lançar o livro, a autora se mostrou feliz por oportunizar a escuta de muitas histórias de vida, “antes que esse conhecimento se perdesse no silêncio das gerações”.

A Feira Literária de Mucugê foi criada em 2016 e só não aconteceu presencialmente em 2020 e 2021, devido à pandemia da Covid-19. A Fligê é um território fértil para a produção cultural que reúne, até o próximo domingo (16), escritores, poetas, músicos e cineastas na histórica cidade da Chapada. O programa ALBA Cultural é coordenado pelo assessor de Assuntos Culturais da ALBA, o jornalista e editor Paulo Bina. O selo conta ainda com o apoio dos assistentes editoriais Alexsandro Mateus e Idalina Vilasboas. O projeto gráfico e a execução têm a assinatura do designer Bira Paim. (Ascom).

Foto: Carlos Amilton/Ascom

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