Abertura de investigação contra Lulinha e divulgação de documentos sobre Jaques Wagner elevam tensão no PT a dias da convenção que oficializará a candidatura de Lula à reeleição.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou na reta final que antecede o início oficial da campanha eleitoral enfrentando uma nova turbulência política. A poucos dias da convenção nacional do partido, marcada para domingo (2), decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), colocaram dois dos principais aliados do presidente no centro de investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Nos bastidores do Palácio do Planalto e da direção nacional do PT, a avaliação é de que o momento das decisões amplia o desgaste político do governo justamente quando Lula se prepara para ser oficializado como candidato à reeleição. Integrantes da legenda também criticam a atuação de Mendonça, indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e afirmam que as medidas possuem forte impacto político.
Jaques Wagner passa a responder sob maior exposição
Uma das decisões do ministro foi retirar o sigilo da investigação envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), tornando públicos documentos da Polícia Federal produzidos no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo a PF, há indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas de pessoas ligadas ao Banco Master em troca de atuação em pautas de interesse da instituição financeira. Entre os benefícios investigados estão o uso de aeronaves particulares, ingressos para eventos, presentes e a suposta aquisição de um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador.
As investigações também apontam uma relação frequente entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. De acordo com a Polícia Federal, ambos trocaram 74 ligações telefônicas entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando aproximadamente cinco horas e meia de conversas.
Ex-governador da Bahia e um dos principais articuladores políticos do presidente Lula, Jaques Wagner nega qualquer irregularidade e afirma que comprovará sua inocência durante o andamento do processo.
Investigação alcança o filho do presidente
No mesmo contexto, André Mendonça autorizou a abertura de inquérito para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
A apuração busca esclarecer se ele participou de negociações junto ao Ministério da Saúde relacionadas ao processo de autorização para comercialização de produtos à base de cannabis medicinal.
Outra linha de investigação apura a suspeita de que Lulinha teria atuado como sócio oculto do empresário Antonio Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores de um esquema de fraudes bilionárias contra aposentadorias e pensões.
Lula diz que investigação deve seguir sem privilégios
Questionado sobre o caso, o presidente afirmou que o filho deverá responder às investigações como qualquer outro cidadão.
Durante participação no podcast Inteligência Ltda., Lula declarou que não pretende interferir no trabalho das autoridades e ressaltou que não haverá qualquer tratamento diferenciado.
Embora reconheçam o impacto político das investigações, integrantes da campanha presidencial afirmam que ainda é cedo para medir os reflexos eleitorais. Nos bastidores, a avaliação é de que, caso as apurações não confirmem as suspeitas, o encerramento dos processos poderá afastar definitivamente as acusações durante a disputa eleitoral.
Da Redação – Soteropolis Noticias
Foto: Antonio Augusto/STF

